O impacto femoroacetabular (IFA) acontece quando o colo do fêmur e a borda do acetábulo se tocam antes do tempo durante o movimento. Aparece entre os 20 e os 40 anos, com dor na virilha ao agachar, sentar muito tempo ou girar o quadril. O tratamento começa com fisioterapia; a artroscopia corrige o formato quando a dor persiste.
O que é o impacto femoroacetabular
O quadril é uma esfera, a cabeça do fêmur, encaixada numa concha, o acetábulo. No impacto femoroacetabular uma das duas peças tem um excesso de osso que faz as superfícies se encostarem no fim do movimento, principalmente ao dobrar e girar a perna para dentro.
Esse contato repetido machuca o labrum e a cartilagem da borda. Com o tempo, se nada muda, o atrito pode abrir caminho para a artrose do quadril antes da idade esperada.
Tipos de impacto
- Came: saliência óssea no colo do fêmur, mais comum em homens jovens e atletas.
- Pincer: o acetábulo cobre demais a cabeça do fêmur, mais frequente em mulheres.
- Misto: as duas alterações juntas, que é o padrão mais encontrado.
Sintomas do impacto no quadril
A queixa clássica é a dor na virilha, às vezes descrita com a mão em forma de C abraçando a lateral do quadril. Ela aparece ou piora:
- Ao agachar, sentar em cadeira baixa ou ficar muito tempo sentado
- Ao cruzar as pernas ou entrar no carro
- Durante esportes com giro, arrancada e chute
- Com estalos, sensação de travamento e perda de mobilidade
Muita gente tem o formato de came ou pincer na radiografia e nunca sente nada. Por isso a imagem sozinha não define doença: o diagnóstico junta formato, sintomas e exame físico.
Exames para o diagnóstico
No exame físico, o teste de impacto (dobrar, aproximar e girar a perna para dentro) reproduz a dor. A radiografia em incidências específicas mede os ângulos do fêmur e do acetábulo. A ressonância magnética avalia o labrum e a cartilagem, que definem a urgência e o tipo de tratamento.
Tratamento do impacto femoroacetabular
Conservador
A primeira etapa, por pelo menos três meses, reúne fisioterapia com foco em controle do core e dos glúteos, ajuste do gesto esportivo e dos treinos e anti-inflamatórios nas crises. Uma parte relevante dos pacientes melhora o suficiente para seguir sem cirurgia.
Cirúrgico
Quando a dor persiste ou já há lesão associada, a artroscopia do quadril remove o excesso ósseo, remodela a transição entre cabeça e colo e repara o labrum, por duas ou três pequenas incisões. O objetivo é tirar a dor e proteger a cartilagem que ainda está boa.
O melhor resultado vem quando a cirurgia é feita antes de a artrose se instalar. Com o desgaste já avançado, a artroscopia perde efeito e outras opções passam a ser discutidas com o ortopedista Dr. João Lopo.
Referências e leitura recomendada
Fontes de sociedades médicas e instituições de saúde que embasam as informações desta página.
- Femoroacetabular ImpingementAmerican Academy of Orthopaedic Surgeons (OrthoInfo), em inglês
- ISHA, The Hip Preservation SocietyInternational Society for Hip Arthroscopy, em inglês
Perguntas frequentes sobre impacto femoroacetabular
Impacto femoroacetabular tem cura sem cirurgia?
O formato do osso não muda com fisioterapia, mas os sintomas do impacto femoroacetabular podem desaparecer. Muitos pacientes controlam a dor com fortalecimento do core e dos glúteos, ajuste do treino e mudança de hábitos, como evitar cadeiras baixas, e seguem ativos sem operar. A cirurgia fica para quem mantém dor após meses de tratamento.
Posso continuar treinando com impacto femoroacetabular?
Na maioria dos casos, sim, com adaptação. Exercícios com flexão profunda e giro do quadril, como agachamento completo e alguns movimentos de lutas e futebol, costumam ser reduzidos por um período, enquanto se fortalece a musculatura que estabiliza a articulação. O retorno ao volume normal é gradual e guiado pela dor.
O impacto femoroacetabular vira artrose?
Pode virar, principalmente quando o atrito continua por anos e já existe lesão da cartilagem na borda do acetábulo. Nem todo impacto evolui para artrose, e muita gente tem o formato alterado sem nunca sentir nada. O acompanhamento com exame e imagem serve justamente para identificar quem está em risco e agir antes.
Quanto tempo leva a recuperação da artroscopia para impacto?
O paciente anda com muletas nas primeiras duas a quatro semanas e volta às atividades do dia a dia em cerca de um a dois meses. O retorno ao esporte costuma acontecer entre quatro e seis meses, depois de recuperar força e controle do movimento com a fisioterapia, que começa já nos primeiros dias.





