O labrum é um anel de fibrocartilagem na borda do acetábulo que estabiliza o quadril e mantém o líquido dentro da articulação. A lesão, quase sempre ligada ao impacto femoroacetabular, causa dor na virilha, estalos e travamento. O diagnóstico é feito por ressonância; o tratamento vai da fisioterapia ao reparo por artroscopia.
O que é o labrum e como ele se lesiona
O labrum contorna a borda do acetábulo e aprofunda o encaixe da cabeça do fêmur. Além de dar estabilidade, ele funciona como uma vedação que mantém a pressão e a lubrificação dentro da articulação, protegendo a cartilagem.
A causa mais comum de lesão é o impacto entre fêmur e acetábulo, que esmaga ou descola o labrum a cada movimento de flexão com giro. Torções no esporte, frouxidão ligamentar, displasia e o próprio envelhecimento da cartilagem também podem romper essa estrutura.
Sintomas da lesão do labrum
- Dor na virilha ou na frente do quadril, às vezes profunda e difícil de localizar
- Estalo doloroso, sensação de travar ou de algo preso
- Piora ao agachar, girar o corpo, sair do carro ou ficar sentado por muito tempo
- Sensação de instabilidade em alguns movimentos
Lesões pequenas podem não dar sintoma nenhum e aparecem por acaso na ressonância. O que orienta o tratamento é a combinação entre a queixa e o exame, e não o laudo isolado.
Diagnóstico da lesão labral
O exame físico com testes específicos sugere a lesão. A ressonância magnética mostra o labrum, a cartilagem vizinha e o formato ósseo; em alguns casos usa-se contraste dentro da articulação (artrorressonância) para enxergar lesões menores. A radiografia completa a investigação, porque a causa óssea da lesão também precisa ser tratada.
Tratamento da lesão do labrum
Sem cirurgia
A fisioterapia com fortalecimento dos glúteos e do core, a adaptação dos treinos e os medicamentos nas crises aliviam boa parte dos pacientes. Uma infiltração pode ajudar a confirmar que a dor vem de dentro da articulação e a reduzir a inflamação.
Artroscopia
Quando a dor persiste por meses ou há travamentos frequentes, a artroscopia permite reparar o labrum com pequenas âncoras, devolvendo a vedação da articulação. Na mesma cirurgia corrige-se o impacto que causou a lesão; sem isso, o labrum tende a romper de novo.

Em quadris com cartilagem já muito gasta, reparar o labrum rende pouco, e a conversa passa a ser outra. Essa decisão é feita caso a caso pelo cirurgião de quadril Dr. João Lopo.
Referências e leitura recomendada
Fontes de sociedades médicas e instituições de saúde que embasam as informações desta página.
- Femoroacetabular Impingement (inclui lesões do labrum)American Academy of Orthopaedic Surgeons (OrthoInfo), em inglês
- Hip ArthroscopyAmerican Academy of Orthopaedic Surgeons (OrthoInfo), em inglês
Perguntas frequentes sobre lesão do labrum
Lesão do labrum cicatriza sozinha?
O labrum tem pouca circulação sanguínea e raramente cicatriza sozinho depois de rompido. Mesmo assim, os sintomas podem melhorar muito com fisioterapia, porque a musculatura fortalecida passa a proteger a articulação e reduz o atrito sobre a lesão. Por isso o tratamento conservador é quase sempre a primeira etapa.
Toda lesão do labrum precisa de cirurgia?
Não. A cirurgia é reservada para quem mantém dor e limitação depois de alguns meses de tratamento conservador, ou para quem tem travamentos frequentes. Lesões do labrum encontradas por acaso na ressonância, sem sintomas, não precisam ser operadas. O que orienta a decisão é a combinação entre queixa, exame físico e imagem.
Qual exame mostra a lesão do labrum?
A ressonância magnética do quadril é o exame que mostra a lesão do labrum, a cartilagem vizinha e o formato ósseo. Em lesões pequenas, a artrorressonância, com contraste injetado dentro da articulação, aumenta a precisão. A radiografia completa a investigação, porque a causa óssea da lesão também precisa ser avaliada.
Depois do reparo do labrum posso voltar ao esporte?
Sim, na maioria dos casos. O retorno ao esporte depois do reparo do labrum é gradual e costuma acontecer entre quatro e seis meses, depois de recuperar força, mobilidade e controle do movimento. Corrigir na mesma cirurgia o impacto que causou a lesão reduz a chance de o labrum romper de novo.





